segunda-feira, 29 de maio de 2017

Quando vi este livro pela primeira vez, tive o mesmo pensamento que tenho quando vejo esses livros da “moda”: Arghhh! Mais um livro para garotinhas dondocas!
Um bom tempo depois, não lembro se li ou se vi alguém falar em algum vídeo, mas estava navegando pela internet quando li ou ouvi: “Girlboss, a história de uma garota que montou um brechó vintage e garimpava roupas para vende-las em sua lojinha online.”

Na hora pensei: What the fuck is this? Mas esta sou eu! Sim, a mesma coisa que eu fazia. Logo em seguida, já comprei. Chegou um dia depois e li em dois dias. Gostei! Identifiquei-me muito com a Sophia, não 100%, mas uns 90%.


                                                              Quanto ao livro

Ao começar a leitura, logo me deparei com algo que quase me fez vomitar as tripas, jogar o livro às traças e praguejar o mês inteiro por ter gastado meu dinheiro com aquela obra. Foi um questionamento indireto da Shopia: “Isso significa que se trata de um manifesto feminista?” Imediatamente, senti enorme repulsa, afinal, comprei com um pé atrás, por ser um livro “da moda”, além disso, só de pensar que gastara meu dinheiro com uma obra de uma feminista escrota foi terrível. No entanto, a minha repulsa passou quando dei continuidade à leitura.

“Nunca na minha vida achei que ser mulher fosse algo que eu tivesse que superar...”

Nas frases seguintes, a autora explica que já adotou certos comportamentos “modernetes” que hoje considera idiotas, como achar ruim o fato de um homem abrir a porta, não se depilar e não se cuidar. Entretanto, com o passar do tempo, enxergou como isso é idiota, feio e grosseiro. Ela se posiciona contra o mimimi das feministas e defende que, se você é mulher e quer ser levada a sério, você mesma deve dar as caras e arrebentar, como ela fez, não ficar dando uma de coitada vitimista em meio a movimentos que dizem “lutar pelas mulheres”.
Pronto! Depois de ler isso, minha raiva passou e pude dar continuidade à leitura em paz.😊


As próximas páginas descrevem a trajetória da Sophia até sua empresa bombar. Ela foi uma garota rebelde, não ia muito bem na escola e teve vários empregos dos quais não gostava. No entanto, tudo isso a ajudou a ser quem ela é, tudo isso a ajudou em suas relações profissionais e pessoais. Depois de ler, a lição que fica é: Tudo o que você está passando é necessário para o que você realmente quer.
Logo após isso, ela começa a escrever sobre traços da sua personalidade, e como estes influíram e influem em sua vida, em como ela lida com eles, e como eles já foram um problema até ela os descobrir e começar a usá-los ao seu favor.


“O verdadeiro sucesso está em saber quais são as suas fraquezas e agir de acordo com seus pontos fortes.”



Ela conta que tem uma personalidade introvertida. Ao ler isso, já adorei e me identifiquei, porque também sou introvertida e sei como é um saco a forma como as pessoas sem conhecimento disso -leia-se a grande maioria- agem com pessoas com esse tipo de personalidade. Elas pensam que nós somos tímidos ou temos problemas, só porque gostamos de ficar na nossa, somos quietos e observadores. Em suma, ela usou seus pontos fortes como introvertida para mover seus negócios. No que era boa: em lidar com clientes de modo indireto, ou seja, por meio eletrônico, o que a ajudou muito na sua loja online; em tirar as melhores fotos, por ser detalhista e criativa, o também a ajudou no marketing dos produtos; Além disso, era muito boa em negociar, isso porque os introvertidos podem ser ótimos líderes e ocupar cargos de confiança, pois, frequentemente, são analistas, persistentes, sinceros e bons em dominar paixões.

“Existe zero de correlação entre ser aquele que melhor sabe falar e aquele que tem as melhores idéias.”

Ademais, a Shopia diz que é assumidamente fã de heavy metal. Gostei, porque também sou. Gostei mais ainda quando ela citou um trecho da música “Born too late”, da banda de Doom Saint Vitus. Eu gosto muito de uns álbuns dessa banda, mas nunca conheci alguém que também gostasse, sempre me senti “sozinha” por gostar deles. Além disso, jamais imaginei que no livro que eu considerava para meninas dondocas, que tem a capa rosa e é lido por milhares de garotas tontinhas, fosse encontrar um trecho de uma música dessa banda.

“Every time I'm on the street
People laugh and point at me
They talk about my length of hair
And the out of date clothes I wear..."

A letra fala sobre como as pessoas riem e apontam o dedo para quem usa roupas diferentes e fora da moda, como a Sophia usava.



Enfim, essas foram as considerações sobre as partes que mais me identifiquei. Fora isso, ela também fala sobre como contratar, como demitir, como conseguir uma vaga desejada, como abrir o seu próprio negócio etc. Ainda bem que eu li ou ouvi aquela informação sobre o livro, caso contrário, jamais o teria comprado. Não tenho preconceito com esses livros da moda, tenho conceitos, porque, na realidade, a maioria deles é feita apenas para vender, prefiro ler os clássicos da literatura do que ler essas obras da moda. Este foi uma exceção. ❤

Ronda é a mulher responsável por abrir as portas do MMA para o sexo feminino. Antes dela, algumas mulheres já lutavam, mas elas não fizera...