Há um tempo, o divórcio não existia. Consequentemente, um casamento
carcomido pelo ódio deveria ser mantido até o fim. Sendo assim, a legalização
jurídica dele foi um bem para a sociedade ocidental. Atualmente, porém, como
vivemos em “tempos líquidos”, as relações são fugazes, ou seja, qualquer coisa
é motivo para uma separação, a maioria dos namoros dura no máximo dois anos, e
a maioria dos casamentos é movida por interesses. Portanto, o problema não é o
divórcio, mas na imaturidade das pessoas perante os relacionamentos.
Outrossim, muitas vezes o divórcio envolve seres que não têm nada a
ver com as desavenças do casal: os filhos. Nesse sentido, este livro é
visionário, pois foi escrito 1897 e narra a história de Maisie, uma garota de
sete anos que teve que viver como um joguete de seus pais. Após a separação, a
corte decretou que ela ficaria seis meses com o pai e seis com a mãe.
Entretanto, os dois se odeiam e usam a criança como mensageira de seus ódios,
por exemplo: “Diga para sua mãe que ela é uma tremenda vaca!”; “Aquele
desgraçado mandou algum recado?” etc. Além disso, eles são pessoas baixas
moralmente e não fazem a menor questão de esconder isso da filha.
No entanto, a narrativa é bem monótona, não acontecem muitas coisas
interessantes, e as ações são tediosas, há muitos detalhes desnecessários nas
descrições. Todavia, é necessário lembrar que o autor quis narrar a história
pela mente de uma criança de sete anos.
Em síntese, a ideia da obra está muito à frente do seu tempo, por isso
fique muito interessada em ler. Contudo, esperava mais. Fiquei a imaginar o
mesmo enredo narrado pelo Flaubert, que tinha uma puta capacidade para adentrar
no psicológico dos personagens. Seria perfeito!



