Na escola, desde criança, sempre
quis sentar na frente. Por que eu queria isso? Porque queria ficar mais próxima
para enxergar, aprender e ficar mais perto da professora. Como criança, eu via
que os alunos bagunceiros é que sentavam no fundo da sala. No entanto, em
algumas séries, eu não sentei na frente, pois fui impedida. Desde então,
aprendi muitas coisas com os alunos do fundão.
Quando terminei a 4° série, mudei
de escola e tudo mudou. Assim que terminava cada aula, o sinal tocava, e nós
tínhamos que subir andares para ir até a sala do professor que daria a próxima
matéria. Nisso, muitas vezes, eu não conseguia chegar a tempo, ou seja, quando
chegava, os lugares na frente já estavam cheios, pois não havia mais aquilo de
“este é o lugar do fulano”. Assim, muitas vezes, tive que sentar no fundo. Com
isso, percebi certo equivoco com as pessoas que sentam no fundo. Algumas não
sentam lá apenas por serem bagunceiras, mas por estarem desmotivadas com a
escola ou por serem mais dotadas de certos conhecimentos do que os outros
alunos. Por exemplo, há alunos que entendem muito de matemática e ficam
desmotivados com a quantidade de exercícios que devem fazer para aprender
determinada fórmula, pois eles conseguem aprender já no primeiro exercício.
O tempo passou e continuei sentando
na frente quando possível e atrás quando não era possível sentar na frente. Na
verdade, eu só queria um lugar distante de todos, porque eu ficava o maior
tempo na escola lendo, em apenas algumas séries eu tive um maior contato com os
alunos, como na 8° série, porque achava todos uns imbecis.
Quando cheguei à faculdade, notei
outras cousas interessantes. Os maus alunos costumam ir sentar na frente quando
o ano ou o semestre está acabando. Já estudei em uma faculdade anual e em uma
semestral. Na anual, sempre que chegava outubro, era possível ver os alunos do
fundo nos lugares da frente, isso porque já estavam fodidos e pensavam que,
sentando na frente, aprenderiam mais e passariam boa impressão aos professores,
aguçando seus sentimentos de piedade. Na semestral, os alunos do fundão ficavam
uns dois ou três semestres sendo vagabundos e passando nas coxas, por meio de
colas, coitadismo e outras gambiarras; Depois de quase rodarem, os safados
apareciam o próximo semestre sentados na frente, além disso, faziam perguntas e
eram suuuuper participativos. Os novos professores, que não os conheciam,
pensavam e comentavam: Nossa, mas você é um ótimo aluno! Eu achava aquilo tudo
uma merda, porque ficava uma briga para sentar na frente, todos os lugares eram
disputados e a frente ficava lotada, enquanto lá atrás ficava vazio. Nessas
épocas, eu sempre abria mão de sentar na frente e ia para o fundão, porque lá
eu tinha espaço e podia respirar, sem aqueles alunos vagabundos correndo atrás
de suas vagabundices. Em questão de aprendizagem, para mim, tanto fazia, porque
eu já não aprendia nada na faculdade, apenas sozinha.
Com isso, percebi que os
professores têm certo preconceito com os alunos que sentam no fundo. Por
exemplo, várias vezes vi professores sentando ao fundo durante provas para observar
se alguém estivesse colando, mas mal sabiam eles que os vagabundos estavam lá
na frente travestidos de bons alunos passando colas uns aos outros, enquanto lá
atrás estavam apenas as pessoas que queriam paz.
Portanto, se você é professor,
não aja de forma precipitada e preconceituosa com os alunos que sentam ao
fundo, na frente ou no meio, pois o que eles passam é apenas impressão, mas
isso não necessariamente condiz com o que são.
