Fazia muitos anos que este livro
estava na minha fila de livros, mas ainda não o havia lido. Certa vez,
encontrei um em um sebo e comprei na hora; porém, ao chegar a casa, descobri
que havia comprado por engano o volume 2, tão desesperada fiquei para tê-lo. Voltei
no mesmo sebo para comprar o volume 1, mas não tinha, tive que trocar de livro
e deixar a leitura para depois. Este ano, encontrei esta versão em um sebo e
não pude deixar a leitura para depois. Li. Conclusão: Nossa! Que livro! Que
livro! Eu já havia lido “Ratos e Homens”, do mesmo autor, por conta das aulas
de literatura inglesa, e já havia amado a narrativa. Com este não foi
diferente, é simplesmente fantástico, agora eu entendo porque é um dos preferidos
de tantas pessoas.
O livro narra a história da
família Joad nos terríveis anos da crise de 29. A família, como tantas outras, foi
vitima de um fenômeno climático chamado Dust Bowl, caracterizado por intensas tempestades de areia, o que
tornou o solo infértil. Consequentemente, vieram a fome e dívidas, obrigando
diversas pessoas a emigrarem para a Califórnia, em busca de um novo recomeço.
Entretanto, o percurso foi marcado por muitos desafios: medo, morte, escassez,
preconceito, humilhações etc. Ao chegar lá, a situação não melhorou muito,
deixando-os à mercê das circunstâncias.
É Incrível a capacidade do Steinbeck
de narrar e trazer à margem a angústia e mudanças vivenciadas pelos
personagens. Além disso, durante a narrativa, há questionamentos filosóficos
acerca da relação dos homens com a terra, poder e dinheiro. Impossível ler esta
obra e não sentir modificações na forma de enxergar o mundo.
O engraçado é que o livro foi
proibido nos EUA por acusarem de ser propaganda comunista, porém também foi
proibido na União Soviética, porque os pobres podiam ver que, no capitalismo,
mesmo os “miseráveis” tinham condições de ter um carro. Ou seja, é um livro
vasto que dá abertura para muitas análises e discussões. Leitura sensacional!



