segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sobre As Vinhas da Ira

Fazia muitos anos que este livro estava na minha fila de livros, mas ainda não o havia lido. Certa vez, encontrei um em um sebo e comprei na hora; porém, ao chegar a casa, descobri que havia comprado por engano o volume 2, tão desesperada fiquei para tê-lo. Voltei no mesmo sebo para comprar o volume 1, mas não tinha, tive que trocar de livro e deixar a leitura para depois. Este ano, encontrei esta versão em um sebo e não pude deixar a leitura para depois. Li. Conclusão: Nossa! Que livro! Que livro! Eu já havia lido “Ratos e Homens”, do mesmo autor, por conta das aulas de literatura inglesa, e já havia amado a narrativa. Com este não foi diferente, é simplesmente fantástico, agora eu entendo porque é um dos preferidos de tantas pessoas.


O livro narra a história da família Joad nos terríveis anos da crise de 29. A família, como tantas outras, foi vitima de um fenômeno climático chamado Dust Bowl, caracterizado por intensas tempestades de areia, o que tornou o solo infértil. Consequentemente, vieram a fome e dívidas, obrigando diversas pessoas a emigrarem para a Califórnia, em busca de um novo recomeço. Entretanto, o percurso foi marcado por muitos desafios: medo, morte, escassez, preconceito, humilhações etc. Ao chegar lá, a situação não melhorou muito, deixando-os à mercê das circunstâncias.  

É Incrível a capacidade do Steinbeck de narrar e trazer à margem a angústia e mudanças vivenciadas pelos personagens. Além disso, durante a narrativa, há questionamentos filosóficos acerca da relação dos homens com a terra, poder e dinheiro. Impossível ler esta obra e não sentir modificações na forma de enxergar o mundo.

O engraçado é que o livro foi proibido nos EUA por acusarem de ser propaganda comunista, porém também foi proibido na União Soviética, porque os pobres podiam ver que, no capitalismo, mesmo os “miseráveis” tinham condições de ter um carro. Ou seja, é um livro vasto que dá abertura para muitas análises e discussões. Leitura sensacional!


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Desde criança, Valéry tinha sonhos mirabolantes enquanto dormia. Ela sempre acordava pensativa, visto que não parecia estar sonhando.  Com o passar dos anos, passou a dormir com suas novas gatas, Freya e Cappuccina. Os sonhos continuavam. Certa noite, porém, notou seres conhecidos no mundo onírico; ao chegar mais perto, viu que eram gatos, mas eram diferentes. Valéry ficou impressionada, pois eles riam como humanos e eram amigáveis. Ao chegar mais perto, viu que eram Freya e Cappuccina. Em seguida, elas chegaram até Valéry e disseram: É real, não tenha medo, somos nós, você está no mundo astral, fora do seu corpo físico, onde os gatos têm formas engraçadas. Valéry ficou estupefata! Entretanto, as duas gatinhas fizeram um convite: Venha conosco passear pelas galáxias, vamos mostrar-lhe um mundo mágico. Valéry ficou temerosa, mas aceitou.

As três saíram a flutuar, pois, no astral, é possível voar. Em seguida, chegaram a um planeta chamado Arntor. Cappuccina e Freya cochichavam entre si e riam, enquanto levavam Valéry até o extremo do local. De repente, uns barulhos assustaram a moça, pareciam aves, mas faziam um barulho agudo, o que a deixou com um pouco de medo. Ao chegarem ao pico de uma montanha, a gata rajada fez um miado diferente, como se chamasse algo. Entrementes, algo que Valéry jamais pudesse conceber em sua mente apareceu diante de seus olhos no céu cinzento: um dragão!


Valéry sentiu as pernas bambas. Sentindo isso, Cappuccina deu-lhe um punhado de ervas para comer, era Camomila. Depois de comer, Valéry ficou calma. O dragão pousou, as gatinhas subiram e a chamaram. Valéry subiu, fechou os olhos e segurou firme na pele áspera do animal. De repente, abriu os olhos e ficou pasma, estavam a sobrevoar a uma altura incrível. O planeta era belo visto de cima. Havia grandes vales, montanhas, árvores de coníferas, gimnospermas, flores, pássaros, mares e rios. Valéry ficou encantada! Ficaram a sobrevoar por um longo período, até que Freya pediu para o ser alado parar. Na hora de descer, porém, Valéry sentiu uma tontura e tremores fortíssimos, acordou em sua cama assustada. Freya e Cappuccina dormiam ao seu lado, suas faces pareciam risonhas. Valéry riu, sabia que estava de volta ao mundo físico, no fundo, porém, sabia que poderia sair a voar mais vezes pelo espaço com suas companheiras, o que a deixou feliz! 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sobre A Ladeira da Memória

A Ladeira da Memória narra – por vezes, de forma chatíssima- a história de Jorge e Renata. Ele é um médico e escritor; ela é uma moça que, no começo, não se sabe o que é e de onde vem. 
Para mim, a parte mais legal do livro é o começo, quando Jorge está em um trem a ouvir seu tio Rangel narrar acontecimentos passados. Ele narra de forma muito criativa e engraçada, usa umas palavras poéticas para expressar atos simples, por exemplo: “Mas o hausto do mundo em novo solstício vernal tinha que arejar almas da categoria da sua...”.
Depois disso, começa a história de Jorge e Renata. Como eu disse, não se sabe o que a Renata é, apenas que ela e o Jorge têm uma relação de amor, porém é uma relação extremamente casta, o máximo que ocorre são apertos de mãos e abraços, também não se sabe qual é a razão disso, não diz nada sobre a religião deles.  Eles se encontram muitas vezes para passear e conversar sobre literatura, música, poesia, natureza etc. Renata quer que ele escreva um romance em que ela apareça e o ajuda na organização da obra. Mediante tais informações, o leitor -pelo menos eu- fica a torcer para que os dois fiquem juntos, pois formam um par “puro” e belo. No entanto, depois de uns dias em uma Fazenda, eles retornam à cidade, e Renata descobre que está com tuberculose, e é ai que o leitor também descobre algo que quebra a pureza da relação entre os dois. Renata é casada, sim, não tem nada de pura, está mantendo relações com outro homem -mesmo que estas relações não sejam sexuais- enquanto seu marido está a trabalhar em outra cidade. Depois de descobrir isso, fiquei a imaginar se o autor estava a fim de brincar com a cara do leitor, visto que todo aquele romance e idílio que criara mascaravam um grande desvio moral. A pura e casta moçoila era apenas uma dondoca querendo viver um romance extraconjugal.

Enfim, depois da descoberta da doença, o marido de Renata volta, e Jorge vai viver no Interior, para que não descubram nada; Depois disso, o livro resume-se a narrar seus dias e o tratamento da tuberculosa, até que esta morre. Depois de sua morte, o livro narra a melancolia dos dias de Jorge.


O livro é de leitura difícil, há muitas palavras que estão fora de uso e outras de significado obscuro. Sem dúvida, não é um livro para os dias atuais, em que as pessoas mal lêem. Além do romance entre Jorge e Renata, o livro retrata o tempo histórico do período, a Segunda Guerra Mundial, além do cenário São Paulo-Rio de Janeiro, que é retratado por meio de ótimas descrições.

Ao final, Jorge lança um questionamento: Será que Renata foi apenas uma vítima dos romances que lia e queria trazê-los para a realidade? Sim, creio que sim. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Mulherzinhas

“Mulherzinhas” narra a história de quatro moçoilas durante o período da Guerra Civil Americana. São estas: Jô, Meg, Beth e Amy. Cada uma tem uma personalidade diferente, o que é bem explorado no livro.


No entanto, a que mais se sobressai na história é Jô, personagem que foi inspirada na própria autora do livro: Louisa May Alcott. Jô adora ler e escrever, tem pretensões literárias e não gosta de cousas frescas como as outras garotas gostam, na verdade, ela gostaria de ter nascido menino; Meg é uma dondoca que queria ser rica para não ter que trabalhar e viver apenas de luxos, como certas moças que conhece; Beth adora tocar piano e tem talento para a música, além de ser adorável; Amy é a mais nova, um pouco mimada, gosta de desenhar.

A história gira em torno delas perante a ausência da figura paterna, pois o pai das meninas foi convocado à guerra. Consequentemente, as mais velhas precisam trabalhar para ajudar a mãe, que é uma figura amorosa, paciente e calma. 
Além disso, há a presença de um personagem masculino no decorrer da história, Laurence. Ele é vizinho das jovens e vive sozinho, pois mora com um avô muito rígido que lhe impõe uma educação rigorosa. No decorrer da história, ele fica amigo das meninas, situação que exerce influência na vida delas, pois a presença de uma figura masculina quebra a rotina cotidiana. Lauren é bondoso, amável, estudioso e sonhador. 
Em suma, a narrativa ilustra bem como era a vida delas depois que precisaram mudar certos hábitos por questão de sobrevivência, ademais, são notáveis os aprendizados e evoluções das moças em decorrência das novas práticas cotidianas. É um romance de época de leitura agradável. Quem gosta de Jane Austen, com certeza irá apreciar esta narrativa, visto que as irmãs lembram as irmãs Bennet, mas estas têm interesses mais adultos, enquanto aquelas ainda são meio infantis em alguns aspectos. Enfim, “Mulherzinhas” é um clássico da literatura que poderia ser mais divulgado!

Ronda é a mulher responsável por abrir as portas do MMA para o sexo feminino. Antes dela, algumas mulheres já lutavam, mas elas não fizera...