terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Hitler e o desarmamento

As leis de restrição às armas de fogo foram essenciais para consolidar o poder de Hitler na Alemanha. Por meio delas, os nazistas obtiveram acesso aos registros de licenças e conseguiam identificar facilmente os cidadãos armados. Aliado a isso, detinham o poder de emitir decretos de emergência, o que foi um pulo até decretarem que todos considerados “subversivos” deveriam entregar suas armas e os que não fizessem isso estariam sujeitos a duras penas. Depois da Reichskristallnacht, conhecida como a Noite dos Cristais, em que judeus tiveram seus estabelecimentos destroçados e casas vasculhadas, vários deles foram presos e enviados a campos de concentração. Na época, mesmo que muitos alemães tenham sido contrários a tais atos, já não poderiam fazer nada, pois toda a população estava desarmada.



A experiência nazista ensina que um governo totalitário sempre tentará desarmar seus oponentes para extinguir qualquer capacidade de resistência a crimes contra a humanidade.

No Brasil, todos deveriam ler este livro, pois as leis desarmamentistas aqui são semelhantes às implantadas na Alemanha antes dos nazistas. Entender a história é essencial para que os mesmos erros não sejam repetidos.

“Um povo armado com uma cultura política de direitos constitucionais e naturais consagrados, pelos quais ele está disposto a lutar, é muito mais resistente a uma tirania, porém, se ainda sucumbe a ela, tem muito mais chances de desenvolver uma resistência armada. Um povo desarmado que aprendeu a pensar que só possui os direitos que forem decretados pelo governo está obviamente muito mais vulnerável ao totalitarismo e menos preparado para resistir à opressão.” 

domingo, 29 de outubro de 2017

Sobre A Garota da Banda

Terminei de ler a biografia da Kim Gordon, vocalista do Sonic Youth, e fiquei extremamente chateada, assim como ela, eu me senti traída.


Conheci o Sonic Youth quando tinha 11 anos, gostei da música e principalmente por ter uma mulher na banda. A Kim sempre foi uma das mulheres no rock que exerceu grande influência sobre mim. Eu gostava muito da atitude dela perante a música. Muitas vezes, quando tive minha primeira banda, eu tentava fazer a voz como o dela, o que conseguia, visto que temos o mesmo vocal.  
A Kim e o Thurston eram casados há muitos anos e eram o exemplo de casal perfeito. Quando anunciaram o divórcio, eu fiquei chateada, mas nem quis saber o motivo, não curto muito a vida pessoal dos músicos. Sendo assim, eu não sabia o motivo da separação. Ao ler o livro, porém, descobri que foi porque o Thurston a traiu, ele estava tendo um caso extraconjugal. Ao saber disso, fiquei decepcionada, pois ele não apenas traiu a Kim, mas a banda, a filha, tudo o que havia construído durante décadas, tudo por ter sucumbido aos prazeres da carne. Foi por isso que o Sonic Youth terminou, a Kim não conseguia mais tocar com ele. Lamentável!
Depois de tudo isso, a Kim mostrou-se ser uma mulher forte, como já era, o que fez com que eu a apreciasse mais ainda. Agora o Thurston, nossa, perdi completamente a admiração que tinha por ele, senti-me muito traída! 😢
  

terça-feira, 4 de julho de 2017

Sobre o lugar onde os alunos sentam

  Na escola, desde criança, sempre quis sentar na frente. Por que eu queria isso? Porque queria ficar mais próxima para enxergar, aprender e ficar mais perto da professora. Como criança, eu via que os alunos bagunceiros é que sentavam no fundo da sala. No entanto, em algumas séries, eu não sentei na frente, pois fui impedida. Desde então, aprendi muitas coisas com os alunos do fundão.



  Quando terminei a 4° série, mudei de escola e tudo mudou. Assim que terminava cada aula, o sinal tocava, e nós tínhamos que subir andares para ir até a sala do professor que daria a próxima matéria. Nisso, muitas vezes, eu não conseguia chegar a tempo, ou seja, quando chegava, os lugares na frente já estavam cheios, pois não havia mais aquilo de “este é o lugar do fulano”. Assim, muitas vezes, tive que sentar no fundo. Com isso, percebi certo equivoco com as pessoas que sentam no fundo. Algumas não sentam lá apenas por serem bagunceiras, mas por estarem desmotivadas com a escola ou por serem mais dotadas de certos conhecimentos do que os outros alunos. Por exemplo, há alunos que entendem muito de matemática e ficam desmotivados com a quantidade de exercícios que devem fazer para aprender determinada fórmula, pois eles conseguem aprender já no primeiro exercício.
  O tempo passou e continuei sentando na frente quando possível e atrás quando não era possível sentar na frente. Na verdade, eu só queria um lugar distante de todos, porque eu ficava o maior tempo na escola lendo, em apenas algumas séries eu tive um maior contato com os alunos, como na 8° série, porque achava todos uns imbecis.
  Quando cheguei à faculdade, notei outras cousas interessantes. Os maus alunos costumam ir sentar na frente quando o ano ou o semestre está acabando. Já estudei em uma faculdade anual e em uma semestral. Na anual, sempre que chegava outubro, era possível ver os alunos do fundo nos lugares da frente, isso porque já estavam fodidos e pensavam que, sentando na frente, aprenderiam mais e passariam boa impressão aos professores, aguçando seus sentimentos de piedade. Na semestral, os alunos do fundão ficavam uns dois ou três semestres sendo vagabundos e passando nas coxas, por meio de colas, coitadismo e outras gambiarras; Depois de quase rodarem, os safados apareciam o próximo semestre sentados na frente, além disso, faziam perguntas e eram suuuuper participativos. Os novos professores, que não os conheciam, pensavam e comentavam: Nossa, mas você é um ótimo aluno! Eu achava aquilo tudo uma merda, porque ficava uma briga para sentar na frente, todos os lugares eram disputados e a frente ficava lotada, enquanto lá atrás ficava vazio. Nessas épocas, eu sempre abria mão de sentar na frente e ia para o fundão, porque lá eu tinha espaço e podia respirar, sem aqueles alunos vagabundos correndo atrás de suas vagabundices. Em questão de aprendizagem, para mim, tanto fazia, porque eu já não aprendia nada na faculdade, apenas sozinha. 
Com isso, percebi que os professores têm certo preconceito com os alunos que sentam no fundo. Por exemplo, várias vezes vi professores sentando ao fundo durante provas para observar se alguém estivesse colando, mas mal sabiam eles que os vagabundos estavam lá na frente travestidos de bons alunos passando colas uns aos outros, enquanto lá atrás estavam apenas as pessoas que queriam paz.
Portanto, se você é professor, não aja de forma precipitada e preconceituosa com os alunos que sentam ao fundo, na frente ou no meio, pois o que eles passam é apenas impressão, mas isso não necessariamente condiz com o que são.


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Quando vi este livro pela primeira vez, tive o mesmo pensamento que tenho quando vejo esses livros da “moda”: Arghhh! Mais um livro para garotinhas dondocas!
Um bom tempo depois, não lembro se li ou se vi alguém falar em algum vídeo, mas estava navegando pela internet quando li ou ouvi: “Girlboss, a história de uma garota que montou um brechó vintage e garimpava roupas para vende-las em sua lojinha online.”

Na hora pensei: What the fuck is this? Mas esta sou eu! Sim, a mesma coisa que eu fazia. Logo em seguida, já comprei. Chegou um dia depois e li em dois dias. Gostei! Identifiquei-me muito com a Sophia, não 100%, mas uns 90%.


                                                              Quanto ao livro

Ao começar a leitura, logo me deparei com algo que quase me fez vomitar as tripas, jogar o livro às traças e praguejar o mês inteiro por ter gastado meu dinheiro com aquela obra. Foi um questionamento indireto da Shopia: “Isso significa que se trata de um manifesto feminista?” Imediatamente, senti enorme repulsa, afinal, comprei com um pé atrás, por ser um livro “da moda”, além disso, só de pensar que gastara meu dinheiro com uma obra de uma feminista escrota foi terrível. No entanto, a minha repulsa passou quando dei continuidade à leitura.

“Nunca na minha vida achei que ser mulher fosse algo que eu tivesse que superar...”

Nas frases seguintes, a autora explica que já adotou certos comportamentos “modernetes” que hoje considera idiotas, como achar ruim o fato de um homem abrir a porta, não se depilar e não se cuidar. Entretanto, com o passar do tempo, enxergou como isso é idiota, feio e grosseiro. Ela se posiciona contra o mimimi das feministas e defende que, se você é mulher e quer ser levada a sério, você mesma deve dar as caras e arrebentar, como ela fez, não ficar dando uma de coitada vitimista em meio a movimentos que dizem “lutar pelas mulheres”.
Pronto! Depois de ler isso, minha raiva passou e pude dar continuidade à leitura em paz.😊


As próximas páginas descrevem a trajetória da Sophia até sua empresa bombar. Ela foi uma garota rebelde, não ia muito bem na escola e teve vários empregos dos quais não gostava. No entanto, tudo isso a ajudou a ser quem ela é, tudo isso a ajudou em suas relações profissionais e pessoais. Depois de ler, a lição que fica é: Tudo o que você está passando é necessário para o que você realmente quer.
Logo após isso, ela começa a escrever sobre traços da sua personalidade, e como estes influíram e influem em sua vida, em como ela lida com eles, e como eles já foram um problema até ela os descobrir e começar a usá-los ao seu favor.


“O verdadeiro sucesso está em saber quais são as suas fraquezas e agir de acordo com seus pontos fortes.”



Ela conta que tem uma personalidade introvertida. Ao ler isso, já adorei e me identifiquei, porque também sou introvertida e sei como é um saco a forma como as pessoas sem conhecimento disso -leia-se a grande maioria- agem com pessoas com esse tipo de personalidade. Elas pensam que nós somos tímidos ou temos problemas, só porque gostamos de ficar na nossa, somos quietos e observadores. Em suma, ela usou seus pontos fortes como introvertida para mover seus negócios. No que era boa: em lidar com clientes de modo indireto, ou seja, por meio eletrônico, o que a ajudou muito na sua loja online; em tirar as melhores fotos, por ser detalhista e criativa, o também a ajudou no marketing dos produtos; Além disso, era muito boa em negociar, isso porque os introvertidos podem ser ótimos líderes e ocupar cargos de confiança, pois, frequentemente, são analistas, persistentes, sinceros e bons em dominar paixões.

“Existe zero de correlação entre ser aquele que melhor sabe falar e aquele que tem as melhores idéias.”

Ademais, a Shopia diz que é assumidamente fã de heavy metal. Gostei, porque também sou. Gostei mais ainda quando ela citou um trecho da música “Born too late”, da banda de Doom Saint Vitus. Eu gosto muito de uns álbuns dessa banda, mas nunca conheci alguém que também gostasse, sempre me senti “sozinha” por gostar deles. Além disso, jamais imaginei que no livro que eu considerava para meninas dondocas, que tem a capa rosa e é lido por milhares de garotas tontinhas, fosse encontrar um trecho de uma música dessa banda.

“Every time I'm on the street
People laugh and point at me
They talk about my length of hair
And the out of date clothes I wear..."

A letra fala sobre como as pessoas riem e apontam o dedo para quem usa roupas diferentes e fora da moda, como a Sophia usava.



Enfim, essas foram as considerações sobre as partes que mais me identifiquei. Fora isso, ela também fala sobre como contratar, como demitir, como conseguir uma vaga desejada, como abrir o seu próprio negócio etc. Ainda bem que eu li ou ouvi aquela informação sobre o livro, caso contrário, jamais o teria comprado. Não tenho preconceito com esses livros da moda, tenho conceitos, porque, na realidade, a maioria deles é feita apenas para vender, prefiro ler os clássicos da literatura do que ler essas obras da moda. Este foi uma exceção. ❤

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Madame Bovary



Findei a leitura de Madame Bovary e fiquei estupefata com o trágico final. Bovary era uma mulher descontente com o que tinha. Desgostava o marido e a filha, a vida de casada, os afazeres cotidianos, tudo lhe causava tédio. Queria viver grandes paixões e aventuras, o que fez, traindo seu marido e gastando todo o dinheiro deste em coisas caras. No final, perdera tudo. Para solucionar o problema, ingeriu arsênico e morreu de forma terrível.
Gostei bastante da narrativa; O autor é muito bom em fazer análises psicológicas internas sobre os pensares dos personagens, em especial, da Madame Bovary.





"...tinha essa inexprimível beleza que resulta da alegria, do entusiasmo, do êxito, e que nada mais é que a harmonia do temperamento com as circunstâncias. Os desejos, as tristezas, as experiências do prazer e as ilusões sempre novas, à maneira do que às flôres fazem o adubo, a chuva, os ventos e o sol, tinham-na desenvolvido gradativamente, e ela se desabrochava enfim em tôda a punjança de sua natureza."

Ronda é a mulher responsável por abrir as portas do MMA para o sexo feminino. Antes dela, algumas mulheres já lutavam, mas elas não fizera...