Quando vi este livro pela
primeira vez, tive o mesmo pensamento que tenho quando vejo esses livros da “moda”:
Arghhh! Mais um livro para garotinhas dondocas!
Um bom tempo depois, não lembro
se li ou se vi alguém falar em algum vídeo, mas estava navegando pela internet
quando li ou ouvi: “Girlboss, a história de uma garota que montou um brechó
vintage e garimpava roupas para vende-las em sua lojinha online.”
Na hora pensei: What the fuck is
this? Mas esta sou eu! Sim, a mesma coisa que eu fazia. Logo em seguida, já comprei. Chegou um dia depois e li em dois dias. Gostei! Identifiquei-me muito com a Sophia, não 100%, mas uns
90%.
Quanto ao livro
Ao começar a leitura, logo me
deparei com algo que quase me fez vomitar as tripas, jogar o livro às traças e
praguejar o mês inteiro por ter gastado meu dinheiro com aquela obra. Foi um
questionamento indireto da Shopia: “Isso significa que se trata de um manifesto
feminista?” Imediatamente, senti enorme repulsa, afinal, comprei com um pé
atrás, por ser um livro “da moda”, além disso, só de pensar que gastara meu
dinheiro com uma obra de uma feminista escrota foi terrível. No entanto, a
minha repulsa passou quando dei continuidade à leitura.
“Nunca na minha vida achei que
ser mulher fosse algo que eu tivesse que superar...”
Nas frases seguintes, a autora
explica que já adotou certos comportamentos “modernetes” que hoje considera
idiotas, como achar ruim o fato de um homem abrir a porta, não se depilar e não
se cuidar. Entretanto, com o passar do tempo, enxergou como isso é idiota, feio
e grosseiro. Ela se posiciona contra o mimimi das feministas e defende que, se
você é mulher e quer ser levada a sério, você mesma deve dar as caras e
arrebentar, como ela fez, não ficar dando uma de coitada vitimista em meio a
movimentos que dizem “lutar pelas mulheres”.
Pronto! Depois de ler isso, minha
raiva passou e pude dar continuidade à leitura em paz.😊
As próximas páginas descrevem a trajetória
da Sophia até sua empresa bombar. Ela foi uma garota rebelde, não ia muito bem
na escola e teve vários empregos dos quais não gostava. No entanto, tudo isso a
ajudou a ser quem ela é, tudo isso a ajudou em suas relações profissionais e
pessoais. Depois de ler, a lição que fica é: Tudo o que você está passando é
necessário para o que você realmente quer.
Logo após isso, ela começa a
escrever sobre traços da sua personalidade, e como estes influíram e influem em
sua vida, em como ela lida com eles, e como eles já foram um problema até ela os
descobrir e começar a usá-los ao seu favor.
“O verdadeiro sucesso está em
saber quais são as suas fraquezas e agir de acordo com seus pontos fortes.”

Ela conta que tem uma
personalidade introvertida. Ao ler isso, já adorei e me identifiquei, porque
também sou introvertida e sei como é um saco a forma como as pessoas sem
conhecimento disso -leia-se a grande maioria- agem com pessoas com esse tipo de
personalidade. Elas pensam que nós somos tímidos ou temos
problemas, só porque gostamos de ficar na nossa, somos quietos e observadores.
Em suma, ela usou seus pontos fortes como introvertida para mover seus
negócios. No que era boa: em lidar com clientes de modo indireto, ou seja, por
meio eletrônico, o que a ajudou muito na sua loja online; em tirar as melhores
fotos, por ser detalhista e criativa, o também a ajudou no marketing dos produtos; Além
disso, era muito boa em negociar, isso porque os introvertidos podem ser
ótimos líderes e ocupar cargos de confiança, pois, frequentemente, são analistas, persistentes, sinceros e bons em dominar paixões.
“Existe zero de correlação entre
ser aquele que melhor sabe falar e aquele que tem as melhores idéias.”
Ademais, a Shopia diz que é
assumidamente fã de heavy metal. Gostei, porque também sou. Gostei
mais ainda quando ela citou um trecho da música “Born too late”, da banda de
Doom Saint Vitus. Eu gosto muito de uns álbuns dessa banda, mas nunca conheci
alguém que também gostasse, sempre me senti “sozinha” por gostar deles.
Além disso, jamais imaginei que no livro que eu considerava para meninas
dondocas, que tem a capa rosa e é lido por milhares de garotas tontinhas, fosse
encontrar um trecho de uma música dessa banda.
“Every time I'm on the street
People laugh and point at me
They talk about my length of
hair
And the out of date clothes I
wear..."
A letra fala sobre como as
pessoas riem e apontam o dedo para quem usa roupas diferentes e fora da moda,
como a Sophia usava.
Enfim, essas foram as considerações
sobre as partes que mais me identifiquei. Fora isso, ela também fala sobre como
contratar, como demitir, como conseguir uma vaga desejada, como abrir o seu
próprio negócio etc. Ainda bem que eu li ou ouvi aquela
informação sobre o livro, caso contrário, jamais o teria comprado. Não
tenho preconceito com esses livros da moda, tenho conceitos, porque, na
realidade, a maioria deles é feita apenas para vender, prefiro ler os clássicos
da literatura do que ler essas obras da moda. Este foi uma exceção. ❤