
Ela bebia café pela manhã. Pela manhã ela lia um poema azul. Pela manhã ela respirava melhor. Pela manhã as melodias adentravam, com êxito. Pela manhã às vezes era chá e às vezes era bolo e camomila, porque aludia à calma. Pela manhã muitas vezes corriam sonhos e mais sonhos, mas os sonhos contrastavam absurdamente com a calmaria da manhã, porque os sonhos eram cálidos. E decorriam todas manhãs enquanto ela estava jogada à casa solitária. Pela tarde as horas se agitavam. Ela não queria que à tarde, quando tudo para, parasse. Ela gostaria que a tarde fosse mais completa e cheia, mas ela está em um grande colapso mental que a impede. Então ela se fixa no sentir de sensações e compreensões. Pela tarde ela não bebe mais nada. Pela tarde não há sabor nos líquidos. E ela esvai-se tarde adentro...
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