quinta-feira, 9 de junho de 2011


Ela bebia café pela manhã. Pela manhã ela lia um poema azul. Pela manhã ela respirava melhor. Pela manhã as melodias adentravam, com êxito. Pela manhã às vezes era chá e às vezes era bolo e camomila, porque aludia à calma. Pela manhã muitas vezes corriam sonhos e mais sonhos, mas os sonhos contrastavam absurdamente com a calmaria da manhã, porque os sonhos eram cálidos. E decorriam todas manhãs enquanto ela estava jogada à casa solitária. Pela tarde as horas se agitavam. Ela não queria que à tarde, quando tudo para, parasse. Ela gostaria que a tarde fosse mais completa e cheia, mas ela está em um grande colapso mental que a impede. Então ela se fixa no sentir de sensações e compreensões. Pela tarde ela não bebe mais nada. Pela tarde não há sabor nos líquidos. E ela esvai-se tarde adentro...

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