Hildegard nasceu 1098 em Bermersheim
vor der Höhe, onde hoje é a Alemanha. Já na infância, era uma
criança um pouco estranha, pois conseguia prever certas coisas. Por exemplo,
uma vez descreveu que o bezerro que uma vaca estava para parir era de
determinado jeito. Quando ele nasceu, as pessoas ficaram estupefatas, pois era
exatamente como ela havia descrito. Isso, porém, era apenas um pouco dos seus “poderes”,
porque ela escondia das outras pessoas, tinha receio do que poderiam pensar.
Aos oito anos, foi enviada a um
mosteiro para ser educada, o que era comum na época. Ela teve uma excelente
educação e seguiu a vida religiosa. Aos trinta e poucos anos, começou a
registrar suas visões, conforme era orientada por Deus.
Nesse ínterim, escreveu estas
três obras: Scivias, que contém vinte e seis visões; entre elas, visões
relacionados à caridade de Cristo, à natureza do Universo etc.; Líber Vitae Meritorum,
que aborda os vícios e as virtudes; e a Liber Divinorum Operum, voltada para o clímax
da criação. Também demonstrava grande interesse pela música, tanto é que compôs
orações e hinos.
Não bastasse isso, também adorava
estudar sobre Herbalismo. Era grande conhecedora das plantas, sabia suas
propriedades medicinais e era hábil em prescrever receitas. Insistia sempre na
concordância entre o que a natureza oferecia de harmonioso em benefício ao
Homem. Por exemplo, para acalmar as dores do fígado e do pulmão, indicava a
ingestão de lavanda em decocção no vinho ou em água com mel.
Ademais, foi por conta desse
interesse pela natureza que Hildegard foi a primeira a falar sobre o lúpulo
aplicado à cerveja. Na época, misturavam outros ingredientes na bebida, como
flores e frutas silvestres. Hoje, o lúpulo é essencial em diversos tipos de
cerveja. Sendo assim, os estudos sobre o lúpulo e sua capacidade para conservar
o líquido a tornam uma mulher com conhecimentos excepcionais.
Este pequeno livro da
historiadora Régine Pernoud aborda todos esses e outros aspectos da vida da
abadessa de forma mais aprofundada. Não creio que seja um livro para todos,
porque as descrições das visões, que compõem grande parte da obra, são deveras
de difícil compreensão, já que há muitas partes simbólicas.