sábado, 13 de abril de 2019

Sobre Dom Quixote


Jamais imaginei que Dom Quixote seria uma das minhas maiores decepções literárias, mas achei a história muito chata. 

Ela é tão chata que fiz algo que não tenho costume de fazer: parar a leitura no meio. Mas fiz. Não aguentava mais tamanha ladainha. No começo, até que a história estava engraçada, mas depois ficou deveras entediante. Não consegui criar os cenários na minha mente, o que demonstra um imaginário pobre quanto ao contexto do livro. Ademais, não me interesso muito pela Espanha e sua história, o que aumentou o meu desinteresse. Enfim, não é um livro para o agora. Quem sabe daqui uns anos eu leia novamente e mude de opinião.

Sobre Ratos e Homens

Lançado em 1937, Ratos e Homens é um clássico emocionante do autor americano John Steinbeck.



O livro traz-nos a história de George e Lennie, dois trabalhadores do campo na época da Grande Depressão Americana que andam pelas fazendas procurando trabalho. Os dois sonham em comprar um pedaço de terra para criarem animais. Para isso, estão juntando o dinheiro do trabalho. George é um homem atarracado e astuto, enquanto Lennie é bem alto e parvo. Ele tem deficiência mental, age como uma criança. Por conta disso, sempre os coloca em confusão. Por exemplo, logo no início da obra eles estão fugindo de um lugar. Isso porque Lennie gosta de acariciar coisas fofas, como certos tecidos e os pêlos dos animais, como ratos, mas ele não tem noção da sua força e acaba os matando. No caso, ele pegou no vestido de uma mulher e não queria mais soltar, causando pânico à moça, que começou a gritar como se estivesse sendo violentada. Eles tiveram que fugir para não serem caçados pelos moradores.

Essa parte é bem engraçada. Como os dois são caipiras, o livro é escrito de forma errada propositalmente, assim como as pessoas do interior falam. Vejam um trecho: “Seu bobo loco. Ocê acha que eu num vi que os seus pé tá tudo molhado porque ocê atravesso o rio pra busca ele?”. 😄😄😄    
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Após isso, eles chegam a uma nova fazenda e encontram pessoas receptivas, exceto o filho do dono, que é um esnobe, e sua esposa, que está entediada com a vida no campo. É por causa dela que a tragédia central da obra ocorre.        
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O livro é bem curtinho, tem 140 páginas, por isso não dá para falar muito, pois viraria spoiler. É uma história engraçada e trágica. O final é trágico e muito emocionante. 💔

É uma grande lição sobre amizade e lealdade.
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Depois que li esse livro e as Vinhas da Ira, Steinbeck virou um dos meus autores preferidos. Recomendo muitíssimo. Leiam! 

domingo, 7 de abril de 2019

Sobre Recordações o Escrivão Isaías Caminha


Recordações do Escrivão Isaías Caminha é o primeiro romance do escritor brasileiro Lima Barreto. Isaías, o protagonista, era um garoto do interior muito estudioso e íntegro que sonhava em ir para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Após conversar com seu tio, este lhe consegue uma carta de recomendação do chefe eleitoral local, o que ajudaria Isaías a conseguir uma boa colocação no Rio. A carta era destinada a um deputado: Castro. 
Ao chegar à Cidade Maravilhosa, ele começa sua busca ao deputado. Busca difícil, visto que o tal político nunca se encontra em sua casa. Após muito procurar, ele o encontra. Todavia, é recebido friamente e engando, pois o parlamentar iria viajar no próximo dia e não lhe ajudaria em nada. Isso deixou Isaías indignado. 



Após o ocorrido, ele tentou procurar empregos, porém era tratado com desdém e logo despachado. Nessa parte, há uma crítica social forte por meio do autor, visto que Isaías é mulato, o que expõe a sociedade preconceituosa da época.            
Depois de passar fome e humilhações, enfim o destino lhe sorri. Isaías começa a trabalhar para um jornal. O autor continua a tecer severas críticas contra a sociedade da época. Agora, é o meio jornalístico e suas hipocrisias que vêm à tona. Isaías começa a expor a hipocrisia da redação e das relações do jornal com políticos, que pagavam para ter notas favoráveis. 
Como bem escreveu o professor Olavo de Carvalho em uma resenha passada, Isaías não sofre apenas porque é preto e pobre, mas porque é um sujeito honesto no meio de vigaristas, um autêntico homem de letras no meio de farsantes, um gentleman no meio de carreiristas vorazes e grosseiros.✔
  
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Gostei da obra, mas prefiro Triste Fim de Policarpo Quaresma, outro livro do autor.🚩

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❌Eu não gosto dos livros da Martin Claret, mas só tinha essa versão, acabei lendo, mas não indico para ninguém. Os livros deles são repletos de erros e traduções duvidosas. Sempre evitem essa editora. 


Este livro nasceu de um sentimento de profunda amizade pelos estudantes, sobretudo por aqueles que sofrem dos males causados pela desorganização e pela solidão.





Tem por objetivo ajudá-los no seu trabalho; aspiraria, pois, a libertá-los de toda e qualquer impressão de inferioridade ou de angústia. Mas este livro também se dirige a todos aqueles que, apesar da barafunda da vida moderna, ainda não renunciaram à leitura, à escrita e ao pensamento. 
Este livro também é dedicado aos que já sabem: dado que, no que diz respeito ao conhecimento, ao estilo e à linguagem, somos todos aprendizes e, como dizia Goethe, é bom que se aprenda a fazer a coisa mais insignificante da maneira mais grandiosa.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Hildegard de Bingen


Hildegard nasceu 1098 em Bermersheim vor der Höhe, onde hoje é a Alemanha. Já na infância, era uma criança um pouco estranha, pois conseguia prever certas coisas. Por exemplo, uma vez descreveu que o bezerro que uma vaca estava para parir era de determinado jeito. Quando ele nasceu, as pessoas ficaram estupefatas, pois era exatamente como ela havia descrito. Isso, porém, era apenas um pouco dos seus “poderes”, porque ela escondia das outras pessoas, tinha receio do que poderiam pensar.
Aos oito anos, foi enviada a um mosteiro para ser educada, o que era comum na época. Ela teve uma excelente educação e seguiu a vida religiosa. Aos trinta e poucos anos, começou a registrar suas visões, conforme era orientada por Deus.
Nesse ínterim, escreveu estas três obras: Scivias, que contém vinte e seis visões; entre elas, visões relacionados à caridade de Cristo, à natureza do Universo etc.; Líber Vitae Meritorum, que aborda os vícios e as virtudes; e a Liber Divinorum Operum, voltada para o clímax da criação. Também demonstrava grande interesse pela música, tanto é que compôs orações e hinos.




Não bastasse isso, também adorava estudar sobre Herbalismo. Era grande conhecedora das plantas, sabia suas propriedades medicinais e era hábil em prescrever receitas. Insistia sempre na concordância entre o que a natureza oferecia de harmonioso em benefício ao Homem. Por exemplo, para acalmar as dores do fígado e do pulmão, indicava a ingestão de lavanda em decocção no vinho ou em água com mel.
Ademais, foi por conta desse interesse pela natureza que Hildegard foi a primeira a falar sobre o lúpulo aplicado à cerveja. Na época, misturavam outros ingredientes na bebida, como flores e frutas silvestres. Hoje, o lúpulo é essencial em diversos tipos de cerveja. Sendo assim, os estudos sobre o lúpulo e sua capacidade para conservar o líquido a tornam uma mulher com conhecimentos excepcionais.
Este pequeno livro da historiadora Régine Pernoud aborda todos esses e outros aspectos da vida da abadessa de forma mais aprofundada. Não creio que seja um livro para todos, porque as descrições das visões, que compõem grande parte da obra, são deveras de difícil compreensão, já que há muitas partes simbólicas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018


Sempre me interessei pelos temperamentos. Por conta disso, não poderia deixar de ler este pequeno livro de menos de 200 páginas escrito pelo médico psiquiatra Italo Marsili. Se você não o conhece, vale a pena conhecer. Ele ficou conhecido na internet depois de ativar aquela opção nos Stories do Instagram de responder perguntas. As respostas dele são chocantes para as pessoas sensíveis da modernidade, criadas a leite com pêra e Ovomaltine. 


Nesta obra, ele nos mostra, por meio de conhecimentos mais “técnicos”, como são os temperamentos colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico. No início, fiquei com um pé atrás para comprar, pois pensei que seria clichê. Todavia, ele realmente traz conhecimentos novos e mais aprofundados sobre o assunto. Após explicar sobre o processo de identificação do nosso temperamento, o autor ensina a como lidar com os quatro tipos. Isso é feito por meio de exemplos que ilustram como é uma criança fleumática, colérica, sanguínea e melancólica, além de como motivar o filho de acordo com o seu temperamento. Nesse quesito, ele foca mais na educação no sentido pais e filhos, ou seja, pai sanguíneo e filho colérico, pai fleumático e filho colérico, entre outros.
Além disso, aborda os temperamentos relacionando-os à questão da espiritualidade. Por exemplo, um indivíduo colérico poderá ascender espiritualmente praticando a ação de dar esmola, pois coléricos carregam a expansão. Já o melancólico, a virtude, pois é mais ordenado e conseguirá levar isso mais a sério. O fleumático, o jejum, e o sanguíneo, a oração. 

Não bastasse isso, ele fala de forma resumida sobre as doze camadas da personalidade. Quem conhece o mínimo do Professor Olavo de Carvalho já entende um pouco ou muito sobre isso.   
Enfim, engana-se quem pensa que o livro é apenas para pais, por causa do título. Não! Ele serve para todos. Não há termos difíceis da área médica, embora ele seja médico, o que tornaria o livro mais cansativo. A leitura é bem agradável e fluída. Amei! 


Joana D'arc


Joana D'arc nasceu na aldeia de Domrémy em 1412. Ela era conhecida como Joaninha, gostava de trabalhar no campo, frequentar a igreja e cuidar dos animais. Quando tinha 13 anos, começou a ouvir vozes, que eram dos santos Miguel, Catarina e Margarida. No início, sentiu medo e não contou a ninguém. Após um tempo, começou a ter visões. Era a voz de Deus a lhe chamar, era o dom da visão concedido. Essas visões e vozes a orientavam a participar do exército, o que fez. Cortou os cabelos e começou a estudar sobre armas e a obter conhecimentos militares.    
Em virtude disso, a simples Joaninha virou Joana D'arc, passando por toda sorte de dificuldades para seguir sua vocação. Entrementes, passou a comandar tropas. Ela teve que lidar com vários homens importantes e negociar acordos de guerra, o que, na época, deixava várias pessoas poderosas surpresas com sua audácia. Joana, porém, mostrava-se altiva e calma, sabia usar as palavras de forma convincente e logo foi angariando a confiança da sociedade. Todavia, seu sucesso nas batalhas despertou a inveja de alguns militares, que começaram a conspirar contra ela.       

     
Em 1430, Joana foi vítima de uma emboscada, sendo ferida, presa e vendida aos ingleses. Estes a condenaram injustamente de bruxaria, por conta de suas visões, inteligência e audácia. Ao saber de sua condenação, ficou muito chateada e angustiada com tamanha injustiça. Eis um trecho do que proferiu: “Deu meu! Tratam-me tão horrível e cruelmente que só falta meu corpo, inteiramente puro, ser hoje consumido e transformado em cinzas! Ah! Preferia mil vezes ser decapitada a ser queimada. Meu Deus! Se eu tivesse ficado na prisão da Igreja à qual eu estava submissa e seu eu tivesse sido vigiada por pessoas da Igreja, e não por meus inimigos e adversários, eu não teria chegado a uma situação como essa. Ah! Eu denuncio, diante de Deus, o grande Juiz, as enormes injustiças e arbitrariedades que têm praticado contra mim”.         
Joana foi queimada viva na fogueira em 1431. Durante o tempo em que estava na fogueira, não parava de clamar pelo nome de Jesus e dos santos e das santas do céu. 
Em 1920, ela foi canonizada solenemente em Roma.


Ronda é a mulher responsável por abrir as portas do MMA para o sexo feminino. Antes dela, algumas mulheres já lutavam, mas elas não fizera...